Sumário Executivo
Em 2025, o Índice de Resiliência Social (SRI) da Allianz registra uma terceira melhora consecutiva — ainda que modesta —, mas as divergências subjacentes permanecem evidentes. A média global subiu de 47,4 em 2024 para 47,9 (em uma escala de 0 a 100) entre 171 economias, impulsionada por menores pressões inflacionárias importadas e maior estabilidade cambial na Ásia Emergente e em várias economias avançadas. O fortalecimento da governança foi outro fator relevante, incluindo a estabilização institucional em partes da Ásia Emergente e da Europa Central. Ao mesmo tempo, a piora da coesão social no Oriente Médio, na Europa Emergente e em países de alta renda continuou a pesar sobre a resiliência social. As economias do Norte da Europa lideram o ranking, com Finlândia (1º, 84,3), Dinamarca (2º, 83,8) e Islândia (3º, 81,4) no topo do índice. Alemanha (8º, 78,5), França (13º, 74,7) e Reino Unido (18º, 72,9) permanecem fortes, enquanto Itália (28º, 66,8) e Estados Unidos (32º, 65,3) ficaram em posições mais baixas, mas ainda dentro do terço superior. China (59º, 52,5), Índia (81º, 46,8), México (105º, 41,3) e Brasil (112º, 40,0) ficaram consideravelmente mais abaixo, com países afetados por conflitos, como Líbano (169º, 17,7) e Sudão do Sul (171º, 11,8), na base do ranking.
O conflito no Oriente Médio e a inflação energética resultante testarão a força dos tecidos sociais, especialmente em países como Vietnã, Tailândia, Marrocos, Tunísia e Malásia. O SRI ajuda a medir vulnerabilidades a esses choques exógenos: países com resiliência mais fraca e limitado espaço fiscal podem ser particularmente afetados por preços de energia elevados por mais tempo. De fato, aumentos sustentados nos preços da energia elevam a inflação (inclusive a de alimentos), enfraquecem o crescimento e intensificam tensões políticas, especialmente onde as sociedades têm capacidade limitada de resposta. Mecanismos de enfrentamento serão cruciais, incluindo instrumentos de resposta a crises, estabilizadores econômicos e flexibilidade de políticas. Dois grupos se destacam: economias de baixa a média resiliência, com alta exposição — como Vietnã, Tailândia, Marrocos, Tunísia e Malásia — podem ver picos de preços se traduzirem mais facilmente em pressões sociais. Por outro lado, países de resiliência moderada, com exposição média ao choque de preços da energia — como Chile, Egito, Sérvia e Coreia do Sul — devem estar em melhor posição para amortecer o impacto de um choque energético temporário sobre a resiliência social. A Europa provavelmente será mais afetada do que os EUA, dada sua maior dependência de energia importada, embora os gastos sociais possam mitigar parte do impacto.
Olhando para o longo prazo, emergem quatro trajetórias de progresso global em resiliência social: países de baixa resiliência que estão se recuperando (por exemplo, Romênia e Arábia Saudita); países que estão se enfraquecendo ainda mais (como Nigéria e Brasil); países de alta resiliência que consolidam sua força (como Alemanha e Finlândia); e países que vêm apresentando deterioração (como Canadá e Suécia). Alguns países parecem presos em uma armadilha de resiliência social intermediária entre esses caminhos divergentes. Os rankings mostram pouca mudança em relação a 2024, embora Sri Lanka (+12,7 pontos; +39 posições) e Índia (+7,8 pontos; +27 posições) tenham melhorado de forma significativa, enquanto Brasil (-8,7 pontos; -41 posições) e República Tcheca (-6,9 pontos; -15 posições) registraram quedas acentuadas. Um grupo de economias avançadas que persistentemente pontuam entre 65 e 70 — incluindo Tchéquia, Hungria, Itália, Estados Unidos e Japão — parece preso em uma armadilha de SRI intermediário (em referência ao fenômeno da armadilha da renda média cunhado por Indermit Gill e Homi Kharas em 2007). A prosperidade material convive cada vez mais com polarização política e volatilidade de políticas públicas. A estagnação prolongada nessa faixa pode gerar maior instabilidade, menor capacidade de reformas e queda na previsibilidade das políticas, com implicações para o crescimento de longo prazo e o risco soberano. Essas tensões tornam-se cada vez mais visíveis: entre 2020 e 2025, países de resiliência intermediária — incluindo Índia, Indonésia, Coreia do Sul, Reino Unido e Estados Unidos — responderam por até 70% dos eventos globais de greves, motins e distúrbios civis (SRCC).
A resiliência social é fundamental para o desempenho macroeconômico, o desenvolvimento dos mercados de capitais e o risco soberano. Para investidores e formuladores de políticas, o SRI funciona tanto como um sistema de alerta precoce quanto como uma bússola para reformas. Níveis mais elevados de resiliência estão associados a um crescimento mais forte do PIB real per capita. Em economias de alta renda, níveis mais altos do SRI também se correlacionam com mercados de capitais mais profundos, sugerindo maior estabilidade de mercado e confiança dos investidores. A exposição soberana, a frustração contratual e a interrupção operacional são distintas em seus mecanismos, mas interligadas em sua causa raiz: a baixa e deteriorada resiliência social. Deteriorações acentuadas no SRI precederam episódios de estresse soberano em 12 a 24 meses. As recuperações tendem a ser assimétricas, com ganhos de resiliência frequentemente antecedendo a compressão dos spreads, à medida que os mercados reajustam o valor de melhorias estruturais com defasagem. A resiliência social não é um caminho de mão única: quedas podem ser revertidas quando a credibilidade institucional é fortalecida, a polarização é reduzida e as oportunidades são ampliadas; por outro lado, a dependência de soluções de curto prazo traz o risco de erosão gradual. Para investidores, acompanhar tanto o nível quanto a trajetória do SRI aprimora a avaliação do risco soberano e ajuda a antecipar pontos de inflexão estrutural; para formuladores de políticas, reformas sustentadas — e não uma gestão reativa de crises — permanecem centrais para a reconstrução da resiliência de longo prazo.