Insolvências em Portugal registam queda de 6,3% no início de 2026

20 de março de 2026

Portugal registou 371 processos de insolvência nos primeiros dois meses de 2026, o que representa uma redução de 6,3% face ao período homólogo de 2025 (396 processos). Após um mês de janeiro ligeiramente acima do ano anterior (+2,9%), fevereiro apresentou uma diminuição mais expressiva de 16,3%, com 159 insolvências registadas. Os dados revelam que o tecido empresarial português continua a demonstrar capacidade de adaptação num contexto económico exigente, marcado por maior pressão sobre as margens operacionais.

As microempresas continuam a concentrar a maioria das insolvências, representando cerca de 65,5% do total. Ainda assim, registaram uma redução de 6,2% face ao período homólogo. Já as pequenas empresas, que correspondem a 18,9% do total, registaram igualmente uma diminuição de 9,1%. “Estes números são encorajadores e demonstram a resiliência das empresas portuguesas num ambiente global marcado por elevada volatilidade. No entanto, o contexto atual apresenta alguma imprevisibilidade associada ao enquadramento geopolítico e económico, que acompanhamos de muito perto.”, afirma Nadine Accaoui, Country Manager da Allianz Trade em Portugal.

Análise setorial e regional

Do ponto de vista setorial, os Serviços e a Construção destacam-se com o maior número de processos, registando aumentos de 9,9% e 5,2%, respetivamente, refletindo simultaneamente o peso destes setores na economia portuguesa e a sua maior sensibilidade às condições do ciclo económico.  Em contrapartida, setores ligados ao consumo apresentam reduções significativas: Retalho (-22,0%), Transportes (-22,2%) e Agrifood (-12,9%).

A nível regional, observa‑se um padrão que permanece relativamente consistente com a estrutura empresarial do país. Porto e Lisboa continuam a concentrar a maioria das insolvências, embora ambos os distritos registem quebras face ao período homólogo (-17,4% e -14,3%, respetivamente). Nas restantes regiões, verificam‑se variações pontuais associadas a dinâmicas locais específicas.

Antiguidade das empresas

As empresas com mais de 10 anos de atividade representaram 53,9% do total de insolvências, refletindo em larga medida o seu maior peso no tecido empresarial. Ao mesmo tempo, este segmento registou uma ligeira melhoria, com uma diminuição de 4,8% face ao mesmo período do ano anterior. Em contrapartida, as insolvências entre empresas com dois a cinco anos de atividade aumentaram 20,7%, apontando para uma maior pressão numa fase mais sensível do seu desenvolvimento.

Perspetivas para 2026

Apesar dos sinais positivos, a Allianz Trade mantém uma leitura atenta e cautelosa da evolução das insolvências ao longo de 2026, uma vez que o seu comportamento continuará condicionado pela capacidade das empresas se adaptarem a um ambiente económico volátil e imprevisível.

A Allianz Trade em Portugal continuará a acompanhar de perto estes desenvolvimentos, apoiando as empresas com análise económica, informação de risco e soluções que promovam uma gestão mais segura das relações comerciais, num contexto global cada vez mais exigente e desafiante.