O risco financeiro é a possibilidade de uma empresa perder dinheiro e faz parte, de forma inerente, de qualquer atividade empresarial. Pode afetar a estabilidade financeira e as operações do negócio. Quem gere o risco na empresa lida diariamente com diferentes tipos de riscos financeiros, muitos deles fora do seu controlo direto.

Estes riscos podem abrir oportunidades de crescimento e de desenvolvimento, mas também podem traduzir-se em perdas significativas.

Uma boa gestão do risco financeiro assenta em quatro passos: identificar os riscos potenciais, avaliar quanto risco a empresa consegue absorver, mitigar os riscos identificados e controlar um leque diversificado de ameaças, recorrendo a métodos distintos.

Sumário

  • O risco financeiro corresponde à possibilidade de uma empresa perder dinheiro no decurso da sua atividade.
  • Abrange situações muito diversas — instabilidade dos mercados, risco de crédito, compromissos financeiros e subidas das taxas de juro, entre outras.
  • Uma gestão eficaz exige processos claros de identificação e avaliação dos riscos.
  • A gestão do risco é um processo contínuo, que acompanha a evolução do negócio

O termo “risco financeiro” traduz a probabilidade de uma empresa perder dinheiro ou não cumprir as suas expectativas financeiras, devido a um conjunto de fatores diversos. O risco faz parte de qualquer negócio, uma vez que os investimentos, os mercados e a conjuntura económica não podem ser antecipados com total certeza.

Saber identificar, avaliar e gerir o risco financeiro é um dos pilares de uma boa prática de gestão e ajuda a proteger a sua empresa.

Antes de avançar com um novo projeto ou investimento, importa considerar os vários tipos de risco financeiro que a empresa pode enfrentar. Estes agrupam-se, essencialmente, em cinco grandes categorias.

Qualquer empresa pode ser afetada, positiva ou negativamente, pelas oscilações do mercado. Alterações imprevisíveis dão origem a riscos de mercado — como subidas das taxas de juro e variações nas cotações das ações — que se repercutem de forma particularmente sensível nas pequenas e médias empresas.

Uma das ferramentas mais utilizadas para medir o risco de mercado é o Value at Risk (VaR), que ajuda as empresas a compreender a sua exposição global e a alocar capital de forma mais eficiente entre as várias áreas de negócio.

Qualquer empresa que conceda crédito aos seus clientes assume o risco de o mesmo não ser pago. À semelhança dos bancos e de outros financiadores que emprestam a terceiros, o risco de crédito também se aplica às vendas a crédito entre empresas e os seus clientes.

O incumprimento das obrigações de pagamento afeta a tesouraria e pode obrigar a mobilizar recursos adicionais para recuperar a dívida. Avaliar previamente a solvabilidade do cliente é, por isso, um passo essencial.

O risco operacional resulta de falhas ou disfunções nos processos internos. Enquadram-se aqui situações como a má gestão, a fraude, quebras na proteção de dados, incidentes de segurança e falhas técnicas — a que se somam vulnerabilidades na cadeia de abastecimento, cada vez mais expostas a choques externos.

Uma boa gestão do risco operacional assenta em procedimentos internos abrangentes: normas de saúde e segurança, auditorias regulares e uma gestão financeira rigorosa.

Na prática, o risco operacional manifesta-se de formas muito concretas no quotidiano das empresas. Um colaborador que introduz dados incorretos num sistema de faturação, um ataque de ransomware que paralisa as operações empresariais durante dias, ou uma falha num fornecedor crítico que interrompe a produção — todos estes cenários geram perdas financeiras reais e imediatas.

Entre os exemplos mais frequentes encontram-se:

  • Erros humanos: processamento incorreto de encomendas ou falhas no gerenciamento de dados sensíveis de clientes
  • Falhas tecnológicas: indisponibilidade de sistemas informáticos que bloqueiam transações no sistema financeiro
  • Fraude: desvio de fundos

Existem dois grandes tipos de risco de liquidez com impacto na atividade: o risco de liquidez de mercado e o risco de liquidez de tesouraria.

O risco de liquidez de mercado surge quando a empresa não consegue concluir as suas transações devido à conjugação de procura baixa e oferta elevada. O risco de liquidez de tesouraria manifesta-se quando os ativos não podem ser convertidos em dinheiro com a rapidez necessária para fazer face às obrigações de curto prazo.

A reputação de uma empresa pode ser afetada por violações éticas, questões de segurança, preocupações de sustentabilidade ou práticas menos transparentes.

Uma vez danificada a reputação, o efeito repercute-se nas vendas, no capital e na quota de mercado. Traduz-se, na prática, em perda de receita, aumento de custos e diminuição do valor para os acionistas.

Uma boa gestão do risco financeiro passa por identificar os riscos e avaliar a sua dimensão, para adotar em seguida as medidas adequadas de prevenção ou mitigação.

Antes de tomar uma decisão empresarial relevante, importa realizar uma análise cuidada dos riscos financeiros associados. Estes podem ser internos à organização — como violações das normas de saúde e segurança ou situações de fraude — ou externos ao negócio, incluindo riscos de mercado, riscos de crédito, alterações regulamentares e até catástrofes naturais.

O mapeamento de riscos é uma das formas mais úteis de representar visualmente os riscos financeiros, servindo de base às medidas de prevenção e mitigação.

Habitualmente, o mapa de risco assume a forma de uma matriz bidimensional que cruza o impacto do risco com a sua probabilidade de ocorrência. Um código de cores pode traduzir a criticidade de cada risco.

Os mapas de risco variam consoante a empresa. Um ataque de cibersegurança pode ser catastrófico, por exemplo, para uma empresa que armazena dados altamente sensíveis. Esse mesmo risco pode ser não só improvável como praticamente insignificante para outra empresa que opere sobretudo offline e não trate dados confidenciais.

Depois de identificados e mapeados, os riscos precisam de ser avaliados. Essa avaliação pode ser feita de forma quantitativa ou qualitativa.

A análise qualitativa baseia-se na perceção do risco e assume, em regra, uma forma descritiva, com termos como “baixo” ou “pouco provável”.

A análise quantitativa apoia-se em dados históricos, verificados ao longo do tempo, e recorre frequentemente a percentagens e a probabilidades para estimar a exposição.

As conclusões da identificação e da avaliação alimentam a estratégia de controlo do risco. Não avaliar nem mitigar os riscos pode resultar em perdas financeiras e em instabilidade do negócio. Ainda que um certo nível de risco seja inerente a qualquer transação, correr riscos não controlados nem avaliados é uma estratégia perigosa.

Um controlo proativo — que combine avaliação, prevenção e redução — cria um ambiente menos exposto e reforça a proteção da empresa.

Embora o risco seja parte essencial da atividade empresarial e possa criar oportunidades de crescimento e investimento, é fundamental adotar procedimentos para o mitigar e controlar sempre que possível. Existem várias estratégias — evitar, reduzir, transferir, reter e monitorizar — que podem ser combinadas em simultâneo, sendo que um perfil diversificado de gestão do risco costuma ser vantajoso.

O primeiro passo consiste em tomar medidas que eliminem por completo a possibilidade de o risco se materializar. Uma empresa pode, por exemplo, optar por manter um fornecedor já testado e comprovado em vez de correr o risco com uma start-up recente.

O segundo passo passa por reduzir o risco. Medidas como a introdução de formação em saúde e segurança para colaboradores que operam equipamentos potencialmente perigosos ajudam a diminuir o risco de acidentes de trabalho.

Nesta estratégia, o risco identificado é transferido para um terceiro. São exemplos a contratação de apólices de seguro contra riscos específicos — em que o risco passa da empresa para a seguradora em troca de um prémio — e o recurso ao factoring, através do qual a empresa cede as suas contas a receber a uma entidade financeira.

A retenção do risco consiste em a empresa absorver o custo do risco em vez de o transferir para terceiros. Se um determinado risco for avaliado como pouco relevante, pode fazer mais sentido, do ponto de vista financeiro, suportar o eventual custo com meios próprios do que pagar a um terceiro para o cobrir.

Por exemplo, se uma pequena empresa avaliar como reduzido o risco de vandalismo nas suas instalações, pode optar por assumir o eventual prejuízo através da sua tesouraria, em vez de contratar um seguro para o efeito.

Depois de avaliados os riscos e implementadas as medidas de mitigação e de controlo, é indispensável manter uma monitorização contínua. Podem surgir novos riscos, outros podem tornar-se obsoletos e a política de gestão do risco deve ser ajustada em conformidade.

Governos e instituições financeiras podem impor medidas regulatórias e de compliance para promover a estabilidade, garantir que os riscos financeiros são controlados e evitar a assunção excessiva de risco no mercado.

No setor bancário, por exemplo, o acordo Basileia III veio reforçar a estabilidade do sistema, exigindo aos bancos a manutenção de determinados níveis de capital de reserva. 

O risco financeiro é inerente a qualquer atividade empresarial e, se por um lado abre oportunidades de crescimento e desenvolvimento, por outro pode ter consequências prejudiciais - ou mesmo críticas - quando é mal gerido.

Uma estratégia eficaz de gestão do risco envolve identificar, avaliar, mitigar, controlar e monitorizar um conjunto alargado de riscos. Complementar essa estratégia com soluções como a gestão de crédito e o Seguro de Crédito ajuda a proteger a tesouraria e a libertar liquidez para o crescimento.

Existem diversos métodos para construir uma estratégia sólida de gestão do risco financeiro, e há especialistas disponíveis para prestar aconselhamento à medida de cada negócio.

Image: People discussing on a coach

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