A gestão da tesouraria é essencial para qualquer negócio, em particular para as pequenas empresas. É dela que depende o pagamento de salários e de fornecedores e a capacidade de investir no crescimento. Ainda assim, nenhuma empresa está totalmente a salvo de problemas de tesouraria inesperados, sejam eles causados por atrasos de pagamento, pela insolvência de um cliente ou por um investimento que não gera a receita prevista.

Entre as origens mais frequentes dos problemas de tesouraria encontram-se:

  1. Falta de reservas de liquidez
  2. Recurso a financiamento a taxas mais elevadas
  3. Quebra de vendas ou margens mais reduzidas
  4. Faturas por cobrar junto dos clientes
  5. Expansão descontrolada do negócio
  6. Previsões financeiras pouco rigorosas
  7. Práticas de contabilidade e registo ineficientes

No contexto atual, prevenir estes problemas e proteger a tesouraria é mais importante do que nunca para sustentar o crescimento da empresa. Neste artigo, apresentamos vários caminhos para o fazer.

Sumário

  • O desequilíbrio entre prazos de pagamento e de recebimento é a causa mais comum de dificuldades de liquidez.
  • Um atraso de pagamento de um único cliente importante pode comprometer o pagamento a vários fornecedores em cadeia.
  • A ausência de um sistema de controlo em tempo real dificulta identificar problemas antes de se agravarem.
  • Empresas que ignoram sinais de atraso, agravam o ciclo de dívidas incobráveis.
  • Analisar com que frequência os clientes atrasam pagamentos permite antecipar riscos antes do primeiro dia de atraso.
  • Separar custos fixos de custos variáveis facilita decisões rápidas quando a tesouraria fica sob pressão.

Controlar a tesouraria significa saber, a qualquer momento, quanto dinheiro entra e sai da empresa, e não apenas no fim do mês. Muitas PME descobrem um problema apenas quando já não têm saldo para pagar um fornecedor, e nesse momento as opções tornam-se escassas e caras.

Um bom sistema de controlo passa por conciliar regularmente as contas bancárias com os registos internos, identificando rapidamente cobranças indevidas, pagamentos duplicados ou atrasos nos recebimentos. Vale também a pena distinguir custos fixos de custos variáveis, para saber onde cortar primeiro em caso de dificuldades.

Entre as práticas mais úteis destacam-se:

  • Mapear todos os pagamentos fixos, como salários, rendas e impostos, com datas certas.
  • Rever semanalmente o saldo disponível, não apenas mensalmente.

Uma folha de cálculo simples, atualizada semanalmente, já permite detetar desvios antes de se tornarem críticos.

Acompanhar a tesouraria é essencial para manter o negócio em segurança. No âmbito de uma boa gestão de tesouraria, deve elaborar um mapa de tesouraria e trabalhar com projeções. Reunir num mesmo documento toda a informação sobre entradas e saídas e, em paralelo, construir uma previsão para os meses seguintes dá-lhe uma visão clara das oportunidades e das ameaças prováveis. Antecipar é sempre preferível a procurar soluções já com o problema instalado.

Para isso, é preciso manter registos rigorosos, dedicando tempo a lançar as receitas e as despesas com regularidade, e assegurar que a informação está sempre atualizada. Uma imagem fiel da posição financeira ajuda a identificar as causas potenciais de dificuldades de tesouraria e a definir como as evitar.

Constituir uma reserva de liquidez, uma espécie de almofada a que a empresa possa recorrer em situações de emergência, é também uma boa prática: cobre, por exemplo, a avaria de um equipamento essencial ou o atraso prolongado de uma fatura importante.

Se quer aprofundar a análise da tesouraria, consulte o nosso artigo sobre o prazo médio de recebimento (PMR): o que é e como melhorar, um indicador-chave para quem quer antecipar entradas de caixa.

Pensar em novos negócios tende a resumir-se à conquista de clientes. Para evitar problemas de tesouraria, porém, importa também escolher os clientes certos.

Para isso, é fundamental manter uma visão próxima do mercado e cultivar relações de longo prazo, nomeadamente através de parceiros locais que ajudam a conhecer melhor cada contraparte.

É igualmente importante avaliar os potenciais clientes para além dos rácios financeiros: perceber se a sua estratégia e cultura estão alinhadas com as da sua empresa e verificar se dispõem de mecanismos de cobertura de risco e de proteção da tesouraria, como o seguro de crédito. A existência destes mecanismos costuma ser sinal de boa governação, de capacidade para assumir riscos de forma ponderada e de abertura para gerir a exposição em conjunto.

Arrastar dívidas incobráveis consome rapidamente recursos e torna-se uma das principais causas de problemas de tesouraria. Para além do impacto nos resultados, dificulta a elaboração de previsões fiáveis.

Uma forma de evitar estas dificuldades, e até de abrir espaço a novas oportunidades, é adotar uma estratégia orientada para a prevenção, pensada para reduzir a dívida ao mínimo.

Tudo começa pela clareza da informação dada aos clientes. Em primeiro lugar, prepare o terreno em duas frentes: defina condições comerciais padrão e condições de pagamento claras. Cada cliente deve conhecer este acordo, incluindo as penalizações por atraso, desde o início da relação. Em segundo lugar, decida de forma consciente quando faz sentido insistir na cobrança de uma fatura em atraso.

O ónus da prova recai sobre o credor e os custos associados não são desprezíveis, pelo que conhecer o ponto a partir do qual vale a pena avançar poupa tempo e recursos.

Depois de implementadas as regras, deve construir uma relação de proximidade com o seu interlocutor principal na organização do cliente. Em vez de esperar que uma fatura entre em atraso, abre assim um diálogo transparente sobre objetivos e eventuais pontos de atrito. Para aprofundar este tema, pode consultar o nosso artigo sobre como preservar a relação com o cliente perante faturas não pagas.

Com a subida das taxas de juro e condições de negócio mais exigentes, as empresas gerem a dívida com maior dificuldade. Um colapso corporativo pode revelar-se catastrófico, sobretudo para as pequenas empresas menos preparadas, e somam-se às restantes causas de problemas de tesouraria.

Deve, por isso, conhecer bem o mercado em que opera, equipando-se com informação sobre práticas comerciais, hábitos de cobrança e enquadramento jurídico, em particular quando trabalha com clientes em mercados estrangeiros.

 
  1. Analise de forma contínua. Assegure dados fiáveis para tomar decisões informadas sobre limites de crédito.
  2. Mantenha a prudência. Identifique cedo os sinais de alerta para gerir a dívida de forma proativa.
  3. Conheça o seu cliente. Familiarize-se com o enquadramento político e legal do mercado e cumpra as regulamentações locais.
  4. Tenha um plano B. Um plano de contingência faz a diferença, é mais eficaz quando pensado ao nível local e deve incluir medidas de prevenção do risco de insolvência.

Por vezes, mesmo com uma boa gestão de tesouraria e com clientes bem escolhidos, os problemas acontecem. Antecipar uma dívida incobrável nem sempre é possível, mas proteger a tesouraria é. Soluções como o Seguro de Credito dão resposta a estes problemas, ajudando a empresa a cobrir o risco de crédito e a salvaguardar o seu crescimento.

Para aprofundar o tema, pode ainda consultar o nosso artigo sobre como o Seguro de Crédito impulsiona a expansão das PME e perceber como estas soluções apoiam o crescimento sustentado do seu negócio.

Image: People discussing on a coach

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