13 de agosto de 2026

Sumário

Uma simulação simples demonstra que transferir metade dos depósitos bancários de uma carteira média familiar, repartindo-os de forma igual entre obrigações nacionais e ações ao longo das últimas duas décadas, teria aumentado os retornos anuais em todos os países analisados.

Sem aumentar o montante poupado, esta realocação teria elevado a riqueza financeira per capita entre 14% e 21%, em termos reais, nos países com maior proporção de depósitos bancários. A Alemanha constitui um exemplo claro da dimensão desta oportunidade: o excedente financeiro estimado por habitante ao longo de 20 anos ascenderia a 11.700 euros, após ajuste pela inflação.

As mulheres, os jovens e as pessoas com menor nível de escolaridade enfrentam os maiores desafios financeiros, mas são também os grupos que obtêm piores resultados em literacia financeira.

As mulheres precisam de financiar períodos de reforma mais longos e acumular riqueza privada, mas têm cerca de metade da probabilidade dos homens de alcançar níveis elevados de literacia financeira (11% face a 24%).

As gerações mais jovens terão igualmente uma responsabilidade acrescida no financiamento privado da sua reforma, mas apresentam os resultados mais fracos: apenas 12% da Geração Z registam níveis elevados de literacia financeira, em comparação com 22% dos Baby Boomers. Entre todos os grupos analisados, as mulheres da Geração Z apresentam os piores resultados, com apenas 10% a alcançar um nível elevado de literacia financeira, enquanto os homens Baby Boomers obtêm o melhor desempenho, com 29% na categoria de elevada literacia.

O nível de escolaridade é um indicador ainda mais forte: apenas 5% dos participantes com ensino básico alcançam um elevado nível de literacia financeira, face a 24% daqueles com ensino superior.

Atualmente, 14% dos inquiridos identificam a inteligência artificial como a sua principal fonte de aconselhamento financeiro. Entre os membros da Geração Z, esta percentagem sobe para 26%, e quase metade dos participantes utiliza ferramentas de IA pelo menos uma vez por semana.

Embora a IA reduza o custo da informação financeira e a torne mais acessível, não pode substituir a literacia financeira necessária para avaliar essa informação e tomar melhores decisões financeiras. Um maior acesso à informação não conduz automaticamente a melhores decisões.

Mais preocupante ainda, os utilizadores de IA revelam maior confiança nos seus conhecimentos financeiros (43%, face a 33% da média geral), mas não apresentam maior probabilidade de atingir níveis elevados de literacia financeira quando comparados com os não utilizadores.

A IA pode complementar o aconselhamento profissional para famílias financeiramente mais instruídas. No entanto, para quem possui menos conhecimentos, existe o risco de reforçar decisões financeiras inadequadas em vez de as melhorar.

A inteligência artificial está a tornar a informação financeira mais acessível do que nunca, mas não pode substituir a literacia financeira. O pensamento crítico continua a ser essencial para evitar o viés de excesso de confiança. As pessoas precisam de conhecimentos para avaliar aconselhamento financeiro e de competências para tomar decisões sólidas e sustentáveis a longo prazo.

Reduzir o défice de literacia financeira requer uma ação coordenada entre governos, empregadores e instituições financeiras.

A educação financeira deve ir além da obtenção de bons resultados em testes, ajudando as famílias a ganhar confiança, a reconhecer quando necessitam de aconselhamento profissional e a tomar melhores decisões financeiras de longo prazo.

Os governos devem reforçar a educação financeira e tornar o planeamento da reforma mais tangível. Os empregadores devem ampliar a orientação financeira disponibilizada no local de trabalho. Já as instituições financeiras devem apoiar as famílias através de produtos mais simples, aconselhamento de confiança e ferramentas digitais que facilitem a transição da poupança para o investimento.

A segurança financeira é influenciada por vários fatores, desde as escolhas individuais até aos sistemas financeiros e sociais em que cada pessoa se insere. Embora a responsabilidade não recaia exclusivamente sobre as famílias, estas são cada vez mais chamadas a assumir um papel ativo na gestão do seu futuro financeiro e necessitam das ferramentas e dos conhecimentos adequados para tomar decisões informadas.

Maior responsabilidade deve vir acompanhada de maior capacitação financeira. A necessidade de educação financeira e de gestão do risco credível é cada vez maior. Por isso, a Allianz está a lançar a School for Life, uma plataforma gratuita de aprendizagem financeira online.

Image: People discussing on a coach

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