29 de julho de 2026

Sumário

Nos primeiros seis meses de 2026, Portugal registou 1.134 processos de insolvência, mais 52 do que no período homólogo de 2025, o que corresponde a um crescimento de 4,8%.

Embora esta evolução represente um agravamento face ao ano anterior, os dados continuam a apontar para uma deterioração moderada do indicador, sem evidência, nesta fase, de uma degradação transversal do tecido empresarial. Mais do que o crescimento agregado, é a distribuição das insolvências por dimensão, antiguidade, setor e localização geográfica que permite compreender onde o risco está efetivamente a aumentar.

A evolução ao longo do semestre foi marcada por comportamentos distintos. Após um início de ano relativamente estável, fevereiro registou uma redução homóloga de 16,3%, seguindo-se um aumento expressivo em março (+22,2%) e abril (+21,0%). Maio voltou a apresentar uma evolução favorável (-9,5%), enquanto junho registou novo crescimento (+17,8%). 

À semelhança dos períodos anteriores, as microempresas continuam a concentrar a maioria das insolvências, representando 67,6% do total nacional, com um aumento homólogo de 9,9%. Em sentido contrário, as pequenas empresas reduziram o número de processos em 10,4%, enquanto as médias empresas registaram um crescimento de 12,5%, mantendo, contudo, uma expressão reduzida no universo analisado.

A análise setorial continua igualmente a evidenciar comportamentos distintos. Os Serviços (+18,9%) e a Construção (+15,2%) foram os principais responsáveis pelo aumento das insolvências observado no semestre, refletindo a maior exposição destas atividades ao contexto económico. Em sentido inverso, setores como o Retalho (-14,0%), Têxteis (-7,0%), Agroalimentar (-1,2%), Transportes (-1,4%) e Metais (-21,4%) apresentaram evoluções mais favoráveis. 

Numa perspetiva territorial, Porto e Lisboa continuam a concentrar aproximadamente 45% das insolvências nacionais, mantendo-se como os distritos com maior volume absoluto de processos. No entanto, a evolução entre ambos foi distinta: enquanto o Porto registou uma redução homóloga de 10,3%, Lisboa apresentou um crescimento de 10,8%. Entre os restantes distritos destacam-se ainda os aumentos observados em Setúbal, Viseu, Leiria, Faro e Braga, contrastando com as reduções verificadas em Coimbra, Santarém, Castelo Branco e Viana do Castelo, ilustrando uma vez mais que a evolução do risco continua longe de ser homogénea.

Image: People discussing on a coach

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