Economia global abranda em 2026:
Conflito no Médio Oriente trava crescimento 

13  de  abril de 2026 

Sumário Executivo

 

O conflito no Médio Oriente é, antes de mais, um choque energético, mas, na sua essência, é também um choque comercial. A Allianz Trade, líder mundial em seguro de crédito, antecipa uma desaceleração da economia global em 2026, num contexto marcado pela escalada do conflito no Médio Oriente, pelo aumento das pressões inflacionistas e por uma maior incerteza geopolítica. No seu cenário base, assumindo que o conflito e as perturbações energéticas abrandam no espaço de três meses, o estudo “Economic Outlook 2026-27: The Fog of War” conclui que o atual enquadramento se irá traduzir num crescimento mais moderado, condições financeiras mais restritivas e maior pressão sobre empresas e consumidores.

Na análise ao cenário de Portugal, a Allianz Trade antecipa que o crescimento do PIB deverá manter-se em 1,9% este ano, antes de abrandar para 1,4% em 2027, beneficiando ainda do dinamismo registado no final de 2025 e da execução dos fundos europeus, com Portugal a destacar-se como um dos países com maior capacidade de absorção do NextGenerationEU. Ainda assim, a subida dos preços da energia deverá traduzir-se numa aceleração da inflação para 2,6%, criando novos constrangimentos ao investimento e limitando o poder de compra das famílias nos próximos trimestres.

“O conflito no Médio Oriente veio agravar o enquadramento económico global, com impacto no crescimento, na inflação e na margem de atuação das políticas públicas. Em Portugal, as perspetivas para 2026 tornaram-se mais exigentes na sequência do choque energético, embora a economia continue a beneficiar de fatores de suporte, como o dinamismo recente e a execução dos fundos europeus. Ainda assim, a subida dos preços da energia deverá traduzir-se numa aceleração da inflação e numa maior pressão sobre o consumo e o investimento”, afirma Maddalena Martini, economista da Allianz Trade.

Crescimento global em desaceleração e inflação em alta

A Allianz Trade prevê um crescimento económico global de 2,6% em 2026, uma revisão em baixa de 0,5 pontos percentuais face às estimativas anteriores. Este valor refere‑se ao crescimento do PIB mundial, ou seja, ao valor total de bens e serviços produzidos globalmente - a medida mais abrangente da atividade económica mundial.

Ao mesmo tempo, espera‑se que a inflação aumente para 3,2% nos Estados Unidos e 3% na Zona Euro, refletindo sobretudo o impacto de preços mais elevados da energia.

Em paralelo, o comércio mundial - que mede o crescimento das trocas internacionais de bens e serviços (nomeadamente exportações e importações) - deverá aumentar apenas 1,5%. Ao contrário do PIB global, que capta a produção económica total, o comércio mundial concentra-se especificamente nos fluxos comerciais transfronteiriços. O seu crescimento mais lento reflete o facto de o comércio internacional ser afetado de forma mais imediata e intensa por tensões geopolíticas, custos mais elevados de transporte e energia e perturbações nas cadeias de abastecimento. A desaceleração do comércio constitui, por isso, um sinal adicional de enfraquecimento da atividade económica mundial. A fragmentação económica e o aumento das barreiras comerciais continuam a pesar sobre a dinâmica do comércio internacional.

Nas principais economias, prevê‑se que o crescimento permaneça moderado, com os Estados Unidos a crescer 2,1% e a Zona Euro apenas 0,8% em 2026. Níveis elevados de défice público - cerca de 7% do PIB nos EUA e 3% na Europa - combinados com custos de financiamento crescentes limitarão ainda mais a margem de atuação das políticas públicas. Neste contexto, espera‑se que os bancos centrais adotem uma postura cautelosa, procurando equilibrar o controlo da inflação com a necessidade de evitar um agravamento da desaceleração económica.

Empresas enfrentam novo choque de custos e maior risco de insolvência

O atual contexto geopolítico está a gerar um novo impacto nos custos para empresas e consumidores. A subida dos preços da energia, metais e fertilizantes está a pressionar margens num ambiente já marcado por procura moderada, tarifas elevadas e condições de financiamento mais restritivas. No relatório da Allianz Trade é antecipada uma nova subida das insolvências empresariais em 2026, com maior impacto nos setores mais intensivos em energia, transportes e atividades com menor capacidade de repercutir custos.

Mercados financeiros reagem com maior aversão ao risco

Nos mercados financeiros, a escalada do conflito no Médio Oriente tem vindo a ser refletida numa maior aversão ao risco, com subida das yields, correções nos mercados acionistas e maior procura por ativos considerados seguros. Ainda assim, no cenário base da Allianz Trade, os mercados poderão recuperar gradualmente ao longo do ano, assumindo uma estabilização da situação geopolítica e dos preços da energia.